quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Chamado da vida profissional

3 comentários
O que eu quero ser quando crescer?

Desde muito pequena a resposta parecia óbvia. Ainda parece, na verdade, mas vai ficando menos romântico e mais concreto o sonho. Daí não sei se deixa de ser sonho, se vira alguma outra coisa, ou se continua sendo só idealização.

Eu sempre quis ser escritora. Mas não escritora de qualquer coisa. Escritora das milhares de fantasias que ficam dançando na minha mente. Jeghen Fal 279 foi o primeiro projeto que mostrei para alguém fora do meu círculo familiar. Foi a primeira fantasia que deixei sair do papel para chegar diante dos olhos de um montão de gente que eu não conhecia.

E a experiência foi ótima. Mas vou deixar esse caso para comentar no finalzinho do texto.


O que me motivou a escrever o post foi, na verdade, uma conversa que tive ontem a respeito de minha vida profissional. Se não for jornalista, eu posso ser outra coisa? Dá tempo de mudar, ou melhor, eu posso mudar? Mas, mudar para o quê? Onde eu posso me encontrar? As pessoas se encontram, de fato, em algum lugar? Para que profissão eu nasci...? Ou melhor, as pessoas nascem, de algum modo, para alguma profissão? O que é, enfim, ser feliz com a sua profissão...?

Até o momento, com 23 anos de vida, eu trabalhei (nem que seja um diazinho só):

- Entregando panfleto
- Como Costureira
- Maquiadora
- Animadora de Festa Infantil
- Com cobertura multimidiática de eventos
- Fotografando ensaios
- Como Cantora
- Vendendo bijouterias
- Dando aula de japonês
- Vendendo Maquiagem
- Editando e revisando livros
- Como jornalista (escrevendo textos)
- Fazendo Logomarcas
- Com organização de eventos
- Programando jogos
- Vendendo Perucas
- Fazer Roteiros de podcast
- Fazendo pulseiras
- Escrevendo livros
- Dando aula de costura
- Dando aula de inglês
- Ministrando oficinas de Criação de Jogos
- Fazendo pesquisa Acadêmica
- Promovendo oficinas criativas
- Como Staff de evento
- Com assessoria de imprensa
- Fazendo programas de Rádio
- Gravando Podcasts
- Fazendo Cartazes de Peças de Teatro
- Embrulhando lanche
- Pintando Paredes
- Entrevistando políticos para alimentar databases
- Ilustrando livros
- Elaborando Jornais

E alguns outros mais que provavelmente não me lembro agora. Claro que ganhar dinheiro é sempre bom :) Mas para ter algo que eu possa chamar de "carreira" ou "vida profissional" (que falando assim mais se parece com algo paralelo à minha vida social), eu quero algo que, além de me sustentar, também me dê aquela vontadezinha de mostrar para o mundo como aquilo que eu faço é legal. Não, nem para o mundo talvez, mas para meus pais. Uma coisa que eu consiga chegar em casa e contar: "Vejam só! Fiz isso e isso no trabalho hoje, estou orgulhosa de mim mesma." Algo que me preencha e me faça feliz e que também possa fazer alguém mais feliz. Algo que me dê vontade de acordar todos os dias e pensar: Uau, que maravilha! Terei de fazer isso hoje!


Infelizmente essa sensação não existe no jornalismo para mim. Escrever os textos naquele formato tradicional, encaixar informações de terceiros em moldes, deixar o seu conhecimento acumulado em terceiro plano é algo que sempre me frustrou desde o início da faculdade de jornalismo. Não só isso, frequentemente me deparo com a questão do "escrever para quem? Para quê? Com qual finalidade?". Não é para mim, certamente. E é aí que eu me desencontro e também busco, desesperadamente, me encontrar.

Eu passei muito tempo pensando e pensando e pensando nisso. E às vezes até de maneira excessiva. O que, dessas coisas que eu já fiz, me deu prazer de verdade? E daí volto em outra listagem:

1. Costurar
2. Escrever livros
3. Programar Jogos
4. Ilustrar
5. Roteirizar

Enfim, para quem conheceu o Jeghen Fal 279 vai perceber que todos esses itens estão, direta ouindiretamente, ligados a ele. Estão todos ligados à possibilidade de criar, de fantasiar, de transbordar e recortar em liberdade. O que me faz mais feliz até hoje foi, enfim, o meu TCC.


Eu passei mais de 200 noites agitada com a cabeça cheia de ideias, com os pulsos doloridos e inflamados por conta do excesso de trabalho, com os olhos cansados de tanto encarar a tela do computador, com os ombros marcados pelo peso do material de desenho e referências que eu carregava por toda parte. E, acredite ou não, eu não reclamei disso um dia sequer. Não reclamei de ter ido dormir às 3h da manhã por ter de terminar um capítulo novo, nem por ter de acordar às 5.30h todos os dias para poder ir para a faculdade e continuar o trabalho por lá. Esse tempo que me dediquei à pesquisa, ao trabalho e à criação de Jeghen Fal 279 é o momento que tenho de mais precioso guardado comigo. Se fosse necessário, repetiria a dose infinitas vezes.

No dia de minha aprensentação do Trabalho de Conclusão de Curso alguém da banca perguntou o que eu pretendia fazer de agora em dia, depois de haver apresentado o trabalho. Eu disse, e com a mesma leveza, continuo dizendo:


 "Gostaria de poder fazer isso todos os dias da minha vida, para sempre.'

Talvez a Laura criança tivesse razão o tempo todo.
Eu provavelmente nasci para isso. Se não para isso, juro que ainda não sei para o quê. 

3 comentários :

  1. Nossa Laz, eu também me encaixo em tudo isso que você escreveu. Uma das maiores decisões da minha vida agora é com relação ao meu TCC. Como aplicar tudo que aprendi no meu curso (ciência da computação) em alguma coisa que eu goste e que seja útil? Estou me perguntando isso há quase um ano e ainda estou insegura.. Engraçado que a minha lista de "coisas que me dá prazer em fazer" não é muito diferente da sua xD

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso mesmo o que fica rodeando minha cabeça o tempo todo. Ser feliz e rica ao mesmo tempo (mentira, não precisa ser rica, mas pelo menos ter algo pra me sustentar xD) parece abstrato às vezes. #drama
      Acho que falta liberdade para fazermos coisas que falem sobre nós mesmos, na vida e em tudo mais.

      Excluir
  2. Laurinha, você é sempre tão esforçada com tudo. Qualquer que seja a sua escolha profissional vc com certeza se dará bem.

    ResponderExcluir