domingo, 24 de maio de 2015

Meu primeiro show e algumas considerações

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Ontem aconteceu em BH o prometido show de Zé Ramalho no Chevrolet Hall.

Para quem não sabe, eu gosto muito das músicas e das letras dele, mas, principalmente, da voz (totalmente única). Eu, como o título avisa, nunca havia ido a um show. Primeiro por não gostar de lugares tumultuados, segundo por não entender como pode ser melhor pagar muito caro para ver a pessoa cantando se o mesmo pode ser feito pela internet (e geralmente de graça) e terceiro por meus cantores favoritos nunca terem vindo para Belo Horizonte.

De todo modo, o @Coren_ (que também nunca tinha ido a um show) me deu de presente um ingresso para assistir à apresentação de ontem!

Titubeei um pouco antes de me decidir, mas, imaginando que o público deveria ser um pessoal mais velho e que não faria bagunça ou tumulto, fiquei sem muitas razões para não ir.

 E então fui.

O show foi no Chevrolet Hall. Provavelmente um dos únicos lugares (além do Mineirão) em que acontecem shows aqui na cidade. Eu já havia ido há muuuito tempo nele (bem antes da reforma) para uma apresentação da Filarmônica. Na época havia me incomodado com as cadeiras que mais parecem assentos para privada, e não foi tão surpreendente assim quando entrei no lugar e.... bem, lá estavam as cadeiras de privada.

Logo na entrada, ainda na fila, observei alguns vários cambistas desesperados por compra e venda de ingresso. E veja só, hoje em dia eles andam com maquininha de cartão de crédito! Que belezura! D:
A venda de bebidas também corria solta ali na fila, e presenciei algumas senhoras decepcionadas com o fato de que teriam de se separar de seus companheiros para usar o elevador (suponho que elas tenham comprado Mesa, e os companheiros Pista). Elas reclamaram um instante, querendo ir pelo menos lugar desse outro pessoal, mas a segurança estava até de bom humor para indicar para onde elas deveriam ir. (E foram. Depois lá dentro pude vê-las na área das mesas).


Quando chegamos essas partes em vermelho já estavam ocupadas. Daí em diante não foi muito difícil escolher onde sentar. pegamos aquele ponto escondido ali no canto, bem longe da muvuca, longe do som e da bagunça. Depois do início do show deu para perceber que estávamos no melhor lugar do Chevrolet: O palco ficava de frente para nós (ele é meio torto para a esquerda), o som - que já era demasiadamente alto - não devia estar tão insuportável como para as pessoas que foram gulosas para se sentar ao lado das caixas de som, não tinha muvuca de gente e, acima de tudo, estávamos ao lado da escada com um segurança muito mal humorado - e que rendeu maravilhosos momentos de observação. Hahahaha
Outra coisa que reparei foi nas roupas das pessoas. Pensei que teríamos apenas pessoas de idade no show, mas tinha uma quantidade até considerável de jovens casais (na média de 22 a 28 anos). Entre os mais jovens tinha de tudo: moletons, saias de meio palmo, vestidos de oncinha, camisa social e cachecol, cardigã sobre os ombros, calção xadrez, meia arrastão e bonés, váaarios bonés.

Entre os mais velhos os casacos e camisas sociais reinavam. Não eram raros os chapéus de palha e as saias de lã na altura do joelho.

Com relação às cores, outra surpresa: esmagadora maioria estava de branco! Não esperava que num evento noturno haveriam tantas pessoas de branco assim. A segunda cor mais predominante era o vermelho, seguida do preto. O resto variava mais entre cinza e azul, e não lembro de haver visto uma única camisa ou vestido cor-de-rosa. (Eu fui de preto, com calça vermelha. Super empacotada para o frio que fazia)

Bem, ao redor do lugar em que nos sentamos sentou também uma senhora que havia se separado da família por que o lugar em que eles estavam era alto demais e machucava o pescoço dela. à frente ninguém se sentou, mas à frente-lateral havia um casal muito engraçado. O rapaz era animadíssimo, e a garota completamente sem vitalidade. Ela chegou primeiro e ficou ali sozinha. Logo que ele chegou eles começaram a brigar por que ele não conseguia encontrá-la de maneira alguma. Depois muita discussão eles se sentaram em silêncio à espera de um outro casal de amigos que apareceu quase no início do show. Atrás de nós, porém, havia a melhor turma do show. Um grupo de amigos (com cara de gente do interior de St. Maria do Suaçui) animadíssimo que acabaram ficando bêbados de tanta cerveja tomada - mas que sabiam todas as músicas de cor e passaram o show inteiro cantando e gravando vídeos.

Ta aí outra coisa que estranhei (e desgostei): A venda de bebidas (cerveja) era liberada dentro do show. O pessoal comprava (e entornava) como se fosse água, e foi mais do que natural que alguns perdessem a sobriedade ali dentro... Felizmente de onde eu estava não deu pra ver nada demais, mas suponho que na muvuca da pista não tenham sido poucos os casos de bêbados chatos.


Ah sim, logo no começo do show eu parei para reparar no movimento dos seguranças (bombeiros e caras de terno preto) que subiam e desciam a escada próxima de nós o tempo todo. Os bombeiros paravam perto das escadas, davam olhadelas, e sumiam. Os seguranças não interferem no movimento das pessoas, o que as faz ficar bem mais livres ali dentro.

Esse movimento desregrado também foi bastante incômodo, mas eu falo dele mais pro final.


O show começou, e a primeira recomendação do Chevrolet (de não fotografar ou filmar com flash) era desobedecida sem cerimônia alguma. Nem a ameaça de recolherem o aparelho da pessoa parecia ter qualquer efeito sobre as pessoas.

E aqui começa minha reclamação:

- As pessoas no show são muito mal educadas. Elas não permanecem sentadas nas cadeiras. Vi vários grupos na arquibancada dançando e balançando as mãos para cima, de pé, ignorando que haviam pessoas sentadas atrás delas. Se queriam gritar, dançar e ficar de pé, por que não iam para a pista - que serve para isso?

- Os jovens próximo de mim passavam mais tempo no whatsapp ou mandando áudio pros amigos do que assistindo ao show de fato. E eles não se dão conta de como o celular com luz incomoda - DEMAIS - quem está ao lado. A luz forte fica no canto do olho e é chatíssimo.

- Ninguém está nem aí pro outro. As pessoas ficam amontoadas na escada para assistir ao show e não dão licença para quem precisa subir ou descer. Manter as vias de trânsito liberadas é o mínimo que o bom senso exige. Cadê desconfiômetro?

- Regras? Pra quê? A quantidade de gente que eu vi discutindo com o segurança (que parecia o Pinguim do Batman) que pedia para saírem da escada para que os funcionários passassem não foi brincadeira. Havia um casal de mulheres que me fez admirar a paciência do tal do segurança. Ele desceu e pediu pra elas saírem do local para não atrapalhar o trânsito pelo menos umas 7 vezes. SETE. VEZES. O cara desceu a escada e subiu sete vezes para repetir o pedido óbvio de não fechar o trânsito - e as meninas voltavam e ignoravam o pedido dele. Qual era o problema delas? Eu jamais teria tido a paciência daquele cara. Na terceira vez já tinha tirado elas do local.

- Também tinham as pessoas que passavam o show inteiro tirando selfies com flash, dançando nas arquibancadas e até o cara do casal que mencionei anteriormente que chamou uma outra mulher pra dançar com ele por que a namorada estava sem vitalidade.

Ufa! Provavelmente todos esses problemas seriam resolvidos se as pessoas parassem um segundinho pra pensar em quem está ao seu lado. Mas enquanto isso não parece possível, a gente fica nessa situação... lol

Agora, sobre o show.

A iluminação é muito bem programada e cativante, os instrumentos estavam alinhadíssimos e a voz única do Zé Ramalho não deixa nada, nadinha, a desejar. Ela é completamente idêntica à voz que ouvimos no rádio, e isso eu acho incrível.

Ele cantou Avohai, uma e outra de Raul Seixas e Gonzaguinha, e o resto variou entrei Admirável Gado Novo e Kriptônia.


Eu fiquei um pouco perdida no show. Era estranho ficar sentada ouvindo música, sem fazer mais nada. Estou acostumada a fazer mil coisas ao mesmo tempo, então estar parada foi, no mínimo, angustiante.

Aproveitei então para observar as pessoas que estavam ao redor.

Deu pra perceber o movimento da pista - muito mais agitada nas proximidades do bar - oscilando de acordo com a música, com as pessoas conversando no whatsapp desenfreadamente, nas pessoas que desafiavam o segurança pinguim de 10 em 10 minutos, nos pivôs da cerveja que eram escolhidos nos grupos para pegar 4 ou 5 copos de uma vez e trazer para os amigos, na senhora ao meu lado que sorria largamente ao se dar conta de que sabia a letra da música que tocava e no casal que se agarrava eventualmente à nossa frente-lateral.


Também tive tempo para pensar no círculo mágico - uma teoria bem legal de espaços e comportamento - que provavelmente justificaria o motivo das pessoas agirem de maneira tão caótica dentro do show e não dentro de uma ópera. Talvez o aconchego menos "pressuroso" da casa de show - em contraste com o ambiente -deslocado da realidade diária- do Palácio das Artes, instigue movimentações diferentes no público. Claro que não é -só- isso, mas foi o que me pareceu mais evidente depois de ontem...

A multidão me incomodou só na entrada, quando tive de atravessar a pista pra chegar na arquibancada. Assim que sentamos no fundinho, longe de tudo, fiquei mais tranquila. Na hora de sair também esperamos que as pessoas se fossem primeiro para não correr o risco de me mergulhar na bagunça, hahaha.

Enfim, foi meu primeiro show e minha conclusão é que pra mim não vale a pena pagar para ficar no caos  ouvindo música quando posso fazer isso no conforto da casa quentinha, com sofá, banheiro e água à disposição enquanto faço outra coisa. Acho que minha conclusão não seria diferente, já que sou dessas que prefere ficar em casa também a ir ao cinema, mas como primeira experiência valeu demais.

Ah, saí metade-surda de um ouvido. E olha que eu estava bem longe do palco. Imagina para quem ficou coladinho?

Não devo voltar a um show de música tão cedo, a menos que surja uma grande motivação pra isso. Mas, se eu puder escolher, fico com ficar em assistindo no meu próprio ritmo.

A música que eu desejava que ele cantasse (e não cantou) é essa daqui (minha favorita, de longe!):


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